Cristina Vinhas, nasceu em Vila do Conde, Portugal.
Entre 2000 e 2003, frequentou o curso de Joalharia no Cindor. Constrói posteriormente oficina própria com a finalidade de criar as suas peças no âmbito da Joalharia de Autor e, paralelamente, desenvolve colecções para a Indústria Joalheira em Portugal.
Vive em Macau desde 2007, onde dá continuidade à Joalharia de Autor, e ministra os Workshops de Joalharia para a Casa de Portugal em Macau.
2011
“Traditional & Creative Rabbit Lantern 4” - Albergue SCM
“Women Condition” – Albergue SCM
2010
“Macau for Haiti + Quinghai” - Albergue SCM.
“Today Tomorrow” - Creative Macau.
“MIF- Feira Internacional de Macau” - Casa de Portugal em Macau.
2009
“35º Aniversário do 25 de Abril em Macau” - Clube Militar de Macau.
“100% Designed in Macau” - Creative Macau.
“MIF- Feira Internacional de Macau” - Casa de Portugal em Macau.

Porque se tornou um artista?
Pela necessidade que sentia de criar, de exteriorizar as minhas emoções, vamos crescendo e aprendendo a apreciar as coisa belas da vida, vamos apurando também o nosso sentido estético, a necessidade de criar, de materializar as imagens, as formas, as ideias, que vamos construindo vai surgindo naturalmente.
Fale-nos do seu trabalho artístico recente, nomeadamente da sua mais recente exposição.
Foram 3 peças em aço que estiveram expostas na MIF, e na galeria Creative Macau, a que chamei “ A misteriosa força da natureza” inspiradas nas árvores fantásticas que existem em algumas ruas de Macau com raízes a brotarem da terra.
Pode-nos falar das técnicas que usa nas suas obras artísticas?
Podem ser várias, depende da peça em causa, por exemplo esta ultima, esculpi as raízes da árvore numa massa moldável, mas devido ás suas dimensões serem maiores do que as das peças normalmente utilizadas em joalharia, teve que ser injectada numa fabrica de fundição e escultura em Cantão, mas normalmente, nas minhas peças utilizo as técnicas normais de montagem utilizadas em joalharia.
Onde vai buscar a inspiração para os seus trabalhos artísticos? Qual é a sua motivação?
Quase sempre as minhas peças têm formas orgânicas, de elementos que vou recolhendo da natureza, mas são variadíssimos os elementos que me podem inspirar na elaboração de uma peça, uma qualquer imagem do dia a dia, uma história que se queira contar, um pormenor de arquitectura, um ser vivo, ou apenas desenvolver uma forma abstracta a partir do metal.
Há alguma história, sentido ou mensagem nas suas obras ou são principalmente exercícios de técnica pura?
Algumas vezes exercício de técnica pura, outras vezes uma história ou mensagem que queira contar ou materializar.
Como inicia uma obra? E quando considera a obra terminada?
Algumas vezes a partir do metal, directamente para a peça, ou a partir de um projecto desenvolvido previamente. Considero terminada quando estou agradada com o resultado final, muitas vezes as alternativas de finalização são várias que a escolha é difícil ficando sempre uma sensação de insatisfação muito grande, o ideal seria conseguir executá-las todas.
Porquê e como é que intitula os seus trabalhos?
Alguns obedecem a um tema, e é quase obrigatório intitulá-los, nascem a partir de uma ideia muito concreta ou objectiva, outras vezes, durante, o processo de criação é que lhe atribuo um título, mas tenho necessidade de as intitular mesmo que seja só para minha referência.
Que artistas influenciaram o seu trabalho? De que forma?
Tudo aquilo que observo me influência certamente, me condiciona, me molda, pelas linhas, pelas formas, pelo equilíbrio, pela força, pela delicadeza, elegância, leveza, mas quando crio tento limpar completamente a minha mente, começar do nada.
Quais são as melhores e as piores facetas da vida de um artista?
Oportunidade de materializar as suas emoções, de trabalhar o belo. Angústia, ansiedade, insatisfação permanente.
Frequentou uma escola de arte? Na sua opinião, isso é importante para um artista?
Frequentei uma escola de joalharia mais técnica e menos artística. É relativo depende de cada um, existem artistas autodidactas que nunca frequentaram uma escola de arte, mas estão em aprendizagem contínua, como Leonardo da Vinci, Van Gogh..., mas sim para uma aprendizagem técnica é necessário, o artístico tem mais a haver com a sensibilidade de cada um.
E o lado comercial de se ser um artista? Como gere a venda da sua arte?
Não sou nada comercial, delegava essa parte se fosse possível. Quase tudo que tenho produzido são para exposições, algumas das minhas peças mais comerciais, vendo-as directamente ao cliente.
Consegue viver da sua arte?
Não estou a viver exclusivamente da venda das minhas peças, mas tenho a certeza que não seria fácil. Teria que optar também por uma vertente mais comercial.
Já exibiu internacionalmente?
Não
Qual é a sua opinião sobre o ambiente artístico em Macau?
Existem núcleos criativos em Macau, a solidificarem, a interagirem, a tornarem-se mais consistentes se assim não for esse núcleos perdem dinamismo, perdem a corrente. Já está de alguma forma generalizado o hábito de se ver o que os outros artistas estão a fazer, acompanha-se o seu percurso, e a comunidade também está a criar essa rotina.
É fácil ser artista em Macau?
Ser artista não é fácil, mas Macau têm condições que a mim me agradam, existe um ambiente para mim propício á criatividade, a mistura das várias culturas, a arquitectura, a natureza, a serenidade ou tranquilidade, as pessoas que me cruzo diariamente, a oferta de materiais.
Que outros interesses tem, para além da arte?
Viver o dia a dia em harmonia.
Onde se vê dentro de 10 anos?
Onde for feliz
Que diria a um jovem artista no início da sua carreira?
Trabalho, determinação.
Questionário de Proust:
Qual é a sua ideia de felicidade completa?
Equilíbrio emocional e realização profissional
Que receia mais?
Injustiça
Qual é a característica de que gosta menos em si?
Perda do controlo
Qual é a característica de que gosta menos nos outros?
Deslealdade
Quando e onde foi mais feliz?
Angola, Portugal, Macau
O que é que considera o seu maior feito?
Manter-me fiel aos meus princípios, a minha conduta humana
Se pudesse escolher voltar como uma coisa ou outra pessoa, o que ou quem seria?
A mesma pessoa
Qual é o seu bem mais precioso?
Amar a vida
O que é que considera o tipo mais abjecto de miséria ou desgraça? Pobreza de espírito
Onde gostaria de viver?
Onde me encontro agora
Qual é a sua actividade preferida?
Viajar
O que é que mais detesta na vida?
Desencanto, desamor, desonestidade
Qual é a sua característica mais marcante?
Determinação
O que é que valoriza mais nos seus amigos?
Lealdade
Quais são os seus artistas preferidos?
Miró, Picasso, Giacometti
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