繁體中文  |  簡体中文  |  Português  |  English  
 
|  Contactos  
 
9/9/2010  
   
Página Principal Notíicias Sobre Arte Educação Artística Eventos Artísticos Galeria On-line Documentos Artistas Associações Artísticas
 
 
 
 
 
 
 
  Posição:
   Local
   China
   Mundo
   
  Data:
  /
  até
  /
  Keyword:
 
 

Página Principal > Notíicias Sobre Arte > Local > O coleccionismo em Macau (3)

O coleccionismo em Macau (3)

2010/7/27
Hoje Macau
 

Margarida Saraiva
hojemacau@yahoo.com

(Continuação)

• José Vicente Jorge

Oriundo de uma família estabelecida em Macau, pelo menos, desde o século XVII e que se celebrizou dado ao grande envolvimento na vida cultural da cidade, José Vicente Jorge (1872 –1948) viveu desde cedo em ambiente propício ao desenvolvimento das suas aptidões culturais.

A Colecção do Dr. José Jorge era, segundo Gonzaga Gomes, “(...) sem dúvida das três a mais rica e mais numerosa”[1]. O seu palacete era “(...) um verdadeiro e valorosíssimo museu pletórico de incalculáveis preciosidades, que nenhum estrangeiro ilustre de passagem por esta colónia deixa de visitar” [2]

José Vicente Jorge reuniu uma colecção de cerca de 10.000 peças. Ele próprio escreveu e publicou ainda em vida um catálogo referente à sua vastíssima colecção –mais tarde, reeditado pelo Instituto Cultural, incluindo uma vasta biografia escrita por Pedro Barreiros. José Vicente Jorge é considerado o grande impulsionador das restantes colecções existentes, sobretudo a de Camilo Pessanha, do qual era amigo. Conheceram-se em 1903, no Liceu Central, onde ambos leccionavam. Aí leccionava também o outro grande coleccionador, Manuel da Silva Mendes.

Consta que Vicente Jorge apoiava Camilo Pessanha nas suas traduções de poesia chinesa e que, por sua vez, Camilo Pessanha ajudava Vicente Jorge no refinamento do português.

José Vicente Jorge chegou a fazer parte da Direcção do Museu Luís de Camões, cargo para o qual foi nomeado a 12 de Outubro de 1911.

A Colecção de José Vicente Jorge, constituída ao longo de 50 anos, era composta por peças dos principais ramos da arte chinesa – cerâmica, bronze, Jade, pintura, caligrafia, escultura, gravura, esmalte, laca, bordado e mobília.

Na sequência da II Grande Guerra Mundial, a colecção de José Jorge conheceu o seu fim. Segundo o P.e. Manuel Teixeira foi, pelo menos em grande parte, vendida para os EUA e a restante, segundo Pedro Barreiros, dividida pelos seus filhos.
 
• Camilo Pessanha

Em 10 de Abril de 1894, Camilo Pessanha chegou a Macau. Para o início da sua colecção, muito contribuiu a relação com José Vicente Jorge, que se lhe julga ter incutido e apurado o gosto pelos objectos de arte chinesa no decurso das muitas visitas que Pessanha lhe fazia.[3]

A colecção que Camilo Pessanha reuniu, para mais tarde oferecer ao estado português, era constituída por 61% de Pintura Chinesa, num total de “220 obras de pintura e caligrafia englobando obras de pintura e caligrafia”, entre as quais se destacam os trabalhos de Su Liupeng, Yu Qilin, Ren Bonian, Wang Xizhi, Ma Yuan Yu, Gai Qi, Zhang Um, Zhiyun nushi e Shao Mi. Era uma colecção centrada em representações de carácter litúrgico, designadamente em personagens do panteão budista, seguida de representações de paisagem e incluindo ainda um grande número de obras de caligrafia[4].

Ao que se sabe, Camilo Pessanha gastou grande parte do seu património na aquisição de objectos de arte chinesa. Depois da sua morte surgiram na imprensa de Macau anúncios dando conta da venda dos objectos chineses por ele coleccionados.

“(..) excluindo os objectos que fizeram parte das doações que o poeta em alturas diferentes fez ao estado português, os objectos remanescentes alimentaram, ao que parece uma loja de antiguidades, aberta pelo seu filho, João Manuel propositadamente para vender o espólio do pai”.[5]

De facto, na sequência da exposição Colecção de Camilo Pessanha, que teve lugar no Palácio do Governo, em 7 de Fevereiro de 1915, as cerca de 125 peças de arte exibidas foram oferecidas ao Governo Português, nomeadamente ao Museu de Arte Nacional (Museu das Janelas Verdes). Mais tarde, em 1925/6, seriam oferecidas mais 220 peças da Colecção de Camilo Pessanha também ao Governo Português, desta feita ao Museu Machado de Castro, em Coimbra – para onde os objectos da primeira doação tinham sido entretendo enviados.

• Silva Mendes

Silva Mendes (1876 -1931), advogado e professor do Liceu de Macau, chegou a esta cidade em 1901, para se tornar num dos primeiros homens a dedicar-se a coleccionar e a estudar a arte da província de Guangdong.

O espólio que reuniu durante a sua vida em Macau integra uma vasta colecção de Cerâmicas de Shiwan, uma grande colecção de Pintura Chinesa de Cantão, cerâmicas do Palácio do Governo, desenhos e aguarelas de Chinnery, Wattson, Borget, Lam Qua, entre outros.

Por ocasião da morte do professor, a sua colecção foi posta à venda. Os jornais de Macau reclamaram ao governo a necessidade e a importância da aquisição desse espólio. Foi, então, constituída uma comissão para a avaliação da colecção[6], mas concluiu-se que o governo não dispunha do capital necessário para concretizar a aquisição. Os membros da comissão sugeriram que fossem recolhidos os fundos necessários junto de capitalistas chineses locais e que a colecção fosse doada ao Museu Luís de Camões[7]. Assim seria[8].

A colecção de Manuel da Silva Mendes tendo sido adquirida em 1932, por forma a integrar o espólio do Museu Luís de Camões, foi a única entre as grandes colecções da sua época que permaneceu na cidade de Macau. Desde então os responsáveis pela “casa das musas” nunca mais deixaram de insistir na sua vocação artística; e é por isso que hoje existe um Museu de Arte. Apesar da colecção Silva Mendes constituir, ainda hoje, grande parte do espólio do Museu de Arte de Macau, ele foi entretanto enriquecido através de aquisições e doações.

No ano de 1959, o “Museu Luís de Camões”, com todo o seu espólio, foi transferido para o Leal Senado de Macau, que ficou responsável pela sua conservação e administração, mediante um subsídio anual concedido pelo governo[9]. Em 1989, por falta de instalações, o Museu acabou por ser encerrado. A construção do Centro Cultural de Macau, que inclui uma área museológica, acabou por solucionar o problema. Sob a designação de Museu de Arte de Macau, foi inaugurado em 1999, o Museu que herdou todo o espólio do antigo Museu Luís de Camões, incluindo a colecção de Manuel da Silva Mendes. A cidade de Macau ficou desta forma dotada de um Museu exclusivamente dedicado à Arte, viu-se definitivamente transformado o panorama museológico e a memória colectiva da cidade. 

[1] Gomes, Gonzaga, “Curiosidades Chinesas: O Museu do Senhor Vicente Jorge”, in Renascimento no. 2, 1943, p. 490.

[2] Idem, p. 490.


[3] Jorge, José Vicente, “Notas sobre a Arte Chinesa”, 1995, ICM, Macau.


[4] Ribeiro, José Diogo, “Camilo Pessanha, Coleccionador de Arte Chinesa”, in Revista de Macau, III Série no 2, Julho de 2000, p 71.


[5] Idem, p 73.


[6] Portaria Provincial no  813, Boletim Oficial da Colónia de Macau, Março de 1932.


[7] Relatório da Comissão nomeada para a Aquisição da Colecção de Manuel da Silva Mendes, 1932.


[8] Livro de Actas das Reuniões da Direcção do Museu “Luís de Camões”, Acta no 5 de 18 de Julho de 1933.


[9] Portaria Provincial no 231, Boletim Oficial da Colónia de Macau, 4 de Outubro de 1958.


E-mail Para Amigo Imprimir
há 0 respostas
Conteúdo : 
 
  澳門特別行政區政府文化局  
 
 
Sobre nos  |  Termos de Serviço  |  Declaracao de privacidade  
  Direitos de autor 2003. O conteudo deste site e propriedade da Macau Art Net. Este site nao podera ser reproduzido, na
integra ou parcialmente, sem a expressa autorizacao escrita da Macau Art Net.
 
  Obrigado pelo interesse demonstrado pela Macau Art Net. De momento, estamos a testar o formato ideal para este website,
trabalhando intensivamente no sentido de melhorar o conteudo, o design e a qualidade do servico. Caso tenha comentarios
ou sugestoes relativamente a este website, por favor contacte-nos. Obrigado.
 
  Este site foi optimizado para visualizacao a 1024x768, nas versoes Internet Explorer 5.5 ou superior.