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Página Principal > Notíicias Sobre Arte > Local > O coleccionismo em Macau (2)

O coleccionismo em Macau (2)

2010/7/26
Hoje Macau
 

Margarida Saraiva

hojemacau@yahoo.com

(Continuação)

Preferências

Em todos os lugares de “cavaco” se falava de bronzes, pedras de jade, porcelanas, barros e quejandos. As peças mais apreciadas eram as da dinastia “Han” e “Song”, enquanto que as da época Ming eram tidas como peças modernas; as obras dos últimos reinados da dinastia Qing, como as do reinado de Kang Xi e Qinglong, eram naquela época tidas como vulgares e pouco apreciadas. As cerâmicas eram também um dos tópicos de conversa mais apreciados. Os ânimos exaltavam-se em considerações comparativas entre as famílias “azul”, “verde”, “rosa”, sendo o “sangue de boi” menos apreciado. Por ser uma arte superior, a pintura não motivava tantas discussões, constituindo uma espécie de monopólio de uma elite. Os gostos iam desde os cristais da Bohémia, aos vidros antigos, às porcelanas chinesas, aos objectos de esmalte, aos bronzes”. 

Era comum entre os grandes coleccionadores a ideia de que em Macau não existiam grandes colecções, nem públicas, nem privadas, e que o museu era paupérrimo.

O roteiro

O roteiro do coleccionador passava pelos “ferro-velhos” que expunham as suas “safadas mercadorias” [4] na feira que ficava situada no largo do templo de Lin Kai (hoje Largo do Bazar), ou na rua Almirante Sérgio. As casas de penhores do bairro chinês eram também lugares de visita obrigatória. No entanto, a aquisição de objectos de reconhecido interesse e valor fazia-se em lojas com tradição na venda de objectos artísticos. Era o caso da Hón-Ku-Tchái, que com o início da guerra se terá estabelecido na Rua do Jogo ou das Estalagens, da loja Sôi-Tche’éong, na Rua Central, e da Tâk-Tch’eong situada na Rua do Hospital Kéang-U, propriedade do  conhecido A-meng, grande conhecedor de cerâmica chinesa. Só assim se completava o roteiro do coleccionador. Os mais exigentes deslocavam-se ainda a Cantão, Xangai ou Hong Kong.

Falsificações

Todos os que se iniciassem nesta actividade sem conhecimentos em arte chinesa corriam o risco de serem ludibriados, dada a perfeição dos métodos de falsificação de peças artísticas:
“São donos de firmas que enterram objectos de bronze novos para se deixarem corroer e por uma concreção que lhes dê um ar de venerada antiguidade, a fim de serem vendidos só pelos seus netos; são bordados recentemente saídos das mãos de veneráveis bordadeiras que passam pelo fumo para adquirirem o tom de velharia; são peças de porcelana que astutos tanganhões conseguem restaurar com tal meticulosidade que só chegam a traírem-se pelo seu sonido rouco, vazio de vibrações; pinturas com selos forjados de autores e possuidores célebres, etc.…” [5]

Deste modo, tornava-se difícil adquirir um conhecimento profundo sobre antiguidades chinesas. Além disso, a arte da emulação era, na China, já muito antiga. Era comum entre artistas e artesãos a produção de obras de arte ao estilo de outros artistas e outras épocas:

“os ceramistas antigos aporem nas suas obras de arte, marcas propositadamente metamórficas, existindo assim peças de cerâmica fabricadas no reinado de Iông-tchên com marca do reinado anterior de Hong-Hei, etc..” [6]

[4] Idem, p. 487
[5] Idem, p. 488.
[6] Idem, p. 488.


Os principais coleccionadores

As principais colecções de arte chinesa constituídas antes da Segunda Guerra Mundial, em Macau, foram as de Camilo Pessanha, Silva Mendes e José Vicente Jorge. Destas três, só duas se conservaram praticamente intactas: a de Camilo Pessanha e a de Manuel da Silva Mendes; só a colecção de Manuel da Silva Mendes permaneceu em Macau.
 

(Continua)

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