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Oscar
Balajadia tem a missão em Macau de ajudar as Filipinas. A partir de dia 25
transmite essa mensagem em 80 desenhos que vão estar em exposição no Centro
UNESCO.
Falar das Filipinas não é
fácil para Oscar Balajadia. A voz treme e, apesar do inglês quase perfeito, as
palavras atropelam-se. Repete vezes sem conta que há
muita dor no seu país, que por lá ninguém sabe quem é nem para onde vai. A sua
missão em Macau é dar a conhecer ao mundo os males que grassam
nas Filipinas. O desenho, a escrita e a música são as
suas formas de expressão.
A residir há mais de sete
anos na RAEM, Balajadia explica que os artistas locais pouco ou nada convivem.
Trabalham sozinhos, "mas isso é o que cada um pretende para si." Por outro lado,
admite que "por cá os artistas sentem-se seguros, podem criar livremente. Daqui
vejo o mundo de binóculos."
Sente
que as inaugurações das exposições estão apinhadas de gente, mas o interesse
pela arte esmorece depois de findas as festas nos museus e nas galerias. "Há
muitos espaços culturais para expor", mas falta apostar mais na educação", de
quem quer ser artista e de quem deveria apreciar melhor a arte local: o público.
Tem esperança que o governo apoie mais os artistas, pois "só assim podem
melhorar o seu trabalho."
Os quadros que vão animar
o Centro UNESCO numa exposição intitulada "Preto e Branco" a partir de dia 25
são fruto da vivência em Macau: "Esta região fez de mim uma grande pessoa,
embora não me tenha mudado a essência".
Há
de tudo na obra do filipino Balajadia. Labirintos toldados pelo abstraccionismo,
flores lótus a lembrar a tradição chinesa e o humor dos cartoons, "porque
às vezes desenho as minhas preocupações com um sorriso."
O preto e o branco são a
imagem de marca dos desenhos. Diz que o homem não sonha a cores e vê nestas
armadilhas a compreensão. Acredita mesmo que haja artistas a recorrerem a essa
harmonia para esconder o vazio. Este filipino tem outra intenção com a sua obra
ainda um pouco pueril: "Não quero que fiquem apenas iludidas com a harmonia da
cor".
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